19 de janeiro de 2016

2016 será um grande ano

Alencar Santana Braga

 

Depois de um 2015 de batalhas e disputas, tanto no campo político e democrático quanto no campo social, mas também de muitas conquistas e avanços, chegamos a 2016 preparados para vencer todos os desafios postos à nossa sociedade, ao nosso país e à nossa cidade.

 

O mundo vive uma crise humanitária sem precedentes na era contemporânea. Milhões de pessoas, fugindo da guerra ou da fome, têm deixado seus lares e buscado melhores condições de vida em diversas nações, como as da União Europeia, os EUA e o Brasil. Tais fluxos migratórios têm tornado mais visível o quanto os países ricos ou em desenvolvimento não estão preparados para receber refugiados ou imigrantes, havendo, em muitos casos, uma escalada dos discursos xenofóbicos e ultraconservadores.

 

No Brasil, apesar da política migratória ser de acolher e dar condições de vida, através da expedição de vistos e encaminhamento ao mercado de trabalho, ainda vemos o preconceito nos discursos ou mesmo em atos de violência física e psicológica contra imigrantes. Precisamos avançar no debate de inserção do refugiado ou imigrante, percebendo que nosso país foi formado por grandes contigentes migratórios, sendo inclusive estes a raiz de nossa cultura diversa, miscigenada e rica.

 

Também, neste novo ano, precisamos vencer as amarras da crise política instaurada em 2015 e que contribuiu com o agravamento dos efeitos da crise internacional em nossa economia. A paralisia do Congresso – e de parte do Governo, em função das relações constitucionais com o Parlamento – não nos permitiram discutir saídas efetivas para manutenção do emprego e do crescimento, levando o país a uma recessão econômica que só poderá ser combatida através de um pacto nacional para fazer o Brasil avançar ainda mais.

 

Apesar disso, iniciamos o ano com o anúncio do aumento do salário mínimo acima da inflação, mantendo o crescimento histórico do ganho real dos trabalhadores, e temos indicativos de uma mudança na gestão da economia, com a nomeação de um Ministro da Fazenda mais alinhado com os ideias progressistas. Falta, no entanto, o estancamento dos cenários políticos, a defesa ampla do respeito à democracia e ao voto e elaboração de uma agenda positiva no Congresso Nacional, que deve aprovar as reformas que o país tanto precisa.

 

No Estado de São Paulo, temos graves crises para enfrentar.

 

A educação, durante os mais de 20 anos de gestão do PSDB de Alckmin e seus aliados, se deteriorou de forma exponencial e chegamos ao final de 2015 com uma greve histórica de professores e com quase 200 escolas ocupadas por secundaristas, em quase todo o estado, em protesto à chamada Reorganização proposta pelo Governo. Na mesma linha, a segurança pública em nosso estado está em colapso, com chacinas ocorrendo na Capital e nas grandes cidades, como a acontecida no início desse ano em Guarulhos, muitas com envolvimento direto de policiais militares. A PM de São Paulo é uma das polícias mais letais do mundo, agindo principalmente contra negros e pobres, dizimando nossa juventude de periferia, enquanto o Governo quer fechar escolas e construir presídios.

 

Na mobilidade, mais uma vez Alckmin trai seus eleitores. Promete durante a campanha eleitoral vários quilômetros de metrô e trem com qualidade e segurança, mas deixar permanecer as panes, superlotação e a lentidão nas execução das obras, inclusive suspendo projetos, como a extensão do metrô para Guarulhos. Uma vergonha. Descaso total.

 

Temos a obrigação, como cidadãos, de nos posicionarmos firmemente contra os desmandos na educação, na segurança pública e mobilidade, exigindo do Governo do Estado mais respeito e diálogo, dando protagonismo a quem deve ter.

 

Já em Guarulhos, devemos seguir avançando, como temos feito em todas as áreas nos últimos anos. Durante mais de uma década, foi preciso muito trabalho por parte da Prefeitura, com apoio do Governo Federal, para garantir grandes investimentos em infraestrutura, saneamento básico, construção de CEUs, escolas e creches e num amplo programa habitacional, que beneficiou milhares de famílias. Agora, com a melhoria dos indicadores sociais, precisamos lutar pela expansão do Polo Tecnológico, ampliando a geração de empregos para a nossa gente, e garantindo investimentos para nossos bairros, com melhoria da infraestrutura e dos equipamentos públicos.

 

E devemos seguir em frente na luta pela mobilidade. Nossa cidade precisa do metrô e da ampliação da linha da CPTM para além do Aeroporto Internacional. Já obtivemos, ao lado do movimento “Não podemos perder esse trem”, uma grande vitória com o anúncio da elaboração de um projeto para a expansão que levará os trilhos até a região do Bonsucesso/Pimentas. Mas não podemos baixar a guarda e garantir a efetivação das obras, que irão atender centenas de milhares de guarulhenses.

 

Assim como devemos condenar a suspensão do trem até Guarulhos e continuar cobrando para isso se torne realidade, pois serão milhares de pessoas beneficiadas.

 

* Alencar Santana Braga é Deputado Estadual (PT-SP), Coordenador da Frente Parlamentar “Guarulhos quer metrô” e Presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa de São Paulo.

 

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