22 de janeiro de 2016

Alckmin mostra sua cara. Penaliza Guarulhos e favorece áreas nobres

As escolhas do Governo do Estado penalizam Guarulhos, Zona Leste e ABC e, mais uma vez, priorizam áreas nobres da Capital.

* Alencar Santana Braga

Em uma decisão que prejudica em muito a população de Guarulhos, o Governador Geraldo Alckmin iniciou 2016 com a ordem de paralisação, por mais 12 meses, o início das obras de extensão da Linha 2 – Verde do Metrô, que ligariam a Vila Prudente a Guarulhos.

Também, foram paralisadas importantes obras como as a Linha 15 – Prata, levariam trilhos de São Mateus à Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, e a Linha 18 – Bronze, que chegaria ao grande ABC.

De acordo com o Governo do Estado, por falta de recursos, serão mantidas apenas as obras das linhas 5 – Lilás, 6 – Laranja e parte da 17 – Ouro, que atendem regiões nobres da Capital, como Moema, Brooklin e ligação da Marginal Pinheiros ao Aeroporto de Congonhas.

Porém , segundo explicações do próprio Governo, os recursos do BNDES que iriam atender a extensão até Guarulhos serão realocados para as linhas que permanecem em obras, numa clara demonstração de quais são as prioridades da gestão do PSDB na questão da mobilidade metropolitana.

Há mais de vinte anos, a população de Guarulhos vive com as promessas de receber o transporte sobre trilhos e, a cada ano, tem novamente esse sonho adiado. As obras do metrô para Guarulhos não saem do papel porque o governador não prioriza. Destaca-se também que a proposta do governo é trazer o metrô até o Shopping Internacional, na Dutra, não atendendo a maior parte da população da guarulhense e resolvendo apenas em partes o caos diário vivido nas rodovias Dutra, Fernão Dias e Ayrton Senna e na Marginal Tietê. Queremos até o centro, no mínimo.

Já na outra ponta do problema, as obras da Linha 13 – Jade, da CPTM, estão sendo feitas ao longo da Rodovia Hélio Smidt e ligarão a Zona Leste ao Parque Cecap e ao Aeroporto.

Porém, a proposta do Governo do Estado também tem viés de exclusão do povo de Guarulhos, porque visa apenas os passageiros e funcionários do Aeroporto que virão de São Paulo, deixando de fora importantes regiões de Guarulhos como São João, Presidente Dutra, Bonsucesso e Pimentas, que poderiam se beneficiar da ligação com a cidade de São Paulo por meio de trilhos.

Através da pressão popular, do “Movimento Não Podemos Perder esse Trem” e de lideranças de Guarulhos, abrimos um importante canal de diálogo para implantação de novas estações, chegando pelo menos na região dos Bonsucesso/Pimentas, mas ainda precisamos lutar muito para que o governo de fato atenda os interesses do nosso povo.

Enquanto o Governo do Estado não prioriza quem mais precisa, boa parte população de Guarulhos, segunda maior cidade do estado, é obrigada a enfrentar horas de trânsito diariamente para o trabalho, estudo, saúde, serviços, lazer e cultura, ficando cada vez mais sem perspectivas de solução a curto ou médio prazo e tendo que conviver com promessas e mais promessas. Além disso, o guarulhense é obrigado a gastar mais de R$ 12,00 ( doze reais ) por dia para chegar até São Paulo. Não podemos permitir que os interesses das empresas de ônibus se sobreponham à necessidade da população.
A cidade, assim como a Zona Leste e o grande ABC, historicamente esquecidos pelo PSDB, merecem mais respeito e reconhecimento e a paralisação das obras de transporte público são mais uma prova de quem é quem nesse jogo.

 

* Alencar Santana Braga é Deputado Estadual (PT-SP), Coordenador da Frente Parlamentar “Guarulhos quer metrô” e Presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa de São Paulo.

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