É preciso transparência

O governo estadual precisa ser transparente como a água na explicação do problema que enfrentamos. Não podemos permitir informações contraditórias e confusas.

8 de abril de 2014

O governo estadual precisa ser transparente como a água na explicação do problema que enfrentamos. Não podemos permitir informações contraditórias e confusas.

Por Alencar Santana Braga

Mais uma vez abordo nesse espaço a crise no abastecimento de água que sofremos no Estado.

Há várias informações a respeito do assunto que geram dúvidas na sociedade, e isso não é bom para ninguém.

O governo estadual precisa ser transparente como a água na explicação do problema que enfrentamos. Não podemos permitir informações contraditórias e confusas.

Estamos diante de uma das maiores crises de falta de água que São Paulo já viveu, portanto a transparência se faz necessária.

O nível de água do sistema Cantareira, responsável por abastecer a maior parte da grande São Paulo e também da região de Campinas, bateu novo recorde e chegou a menos de 13% de sua capacidade.

O governador diz que não corremos o risco de racionamento, mas age como se houvesse a necessidade de fazê-lo.

Na semana passada, o governo expandiu o bônus de 30% de desconto aos usuários que economizarem 20% de água, mesmo aos que não abastecidos pelo sistema Cantareira, como era inicialmente.

Como se observa, o discurso é de não racionamento, mas as ações dizem o contrário.

A transparência se faz fundamental para que todos possam ajudar, amenizando os problemas ou mesmo evitá-los.

As pessoas precisam colaborar na economia de água, e isso requer mudanças de hábitos.

Os empresários precisam também compreender o real problema para que se planejem da melhor maneira, a fim de superar eventual falta d’água.

Os governos municipais também precisam saber da verdade para implementarem ações de economia.

Exemplo, não é justo a cidade de Guarulhos ser avisada, por e-mail, que da noite para o dia terá em torno de 34 milhões de litros de água/dia a menos. A vida do povo é afetada com essa decisão da Sabesp, quem fornece água para o SAAE.

Isso porque o governador diz não existir racionamento. O que seria feito então se houvesse? Se não há, então foi represália política.

Continuo defendendo, como já defendi aqui nesse mesmo espaço, que o governador convide todos os prefeitos das cidades vizinhas, assim como outros setores da sociedade civil, e apresente a real crise no abastecimento que o Estado sofre. Seria digno haver transparência numa questão tão importante como essa.

Que a transparência da água seja usada pelo governador em suas ações para o devido respeito que todos nós merecemos e para que soluções sejam buscadas de forma conjunta.

*Alencar Santana Braga é advogado, deputado estadual e presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia.

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