“Impitimam”: o jogo ainda não acabou

18 de abril de 2016

 Alencar Santana Braga

A farsa golpista, protagonizada pelos traidores e o por aqueles que ainda não superaram o resultado das eleições, venceu uma das batalhas, mas está longe de ganhar a guerra contra a democracia e o respeito ao voto.

Eles, certamente acham ser possível derrotar o povo e um governo legítimo sem qualquer reação da sociedade, da intelectualidade progressista, da juventude e dos movimentos sociais organizados.

Enganaram-se.

O povo foi às ruas. Mesmo os que não concordam com o Governo Dilma se posicionaram em defesa da democracia e contra o golpe da Fiesp, da grande imprensa e de bandidos engravatados.

Depois da vergonhosa votação deste domingo, um show de horrores, ódio e afronto à sociedade, amanheceram nesta segunda com o discurso de vitória, que Dilma já estaria cassada, tentando passar a impressão que agora o país encontrou seu eixo e que tudo estaria resolvido, inclusive o mal da corrupção.

Mas ainda há muito chão pela frente.

Para revertermos esse quadro de ataque constitucional e ao povo brasileiro, devemos continuar nas ruas, mostrando nosso repúdio a esse processo presidido pelo réu no STF Eduardo Cunha e avalizado pelo sórdido Michel Temer, pela Globo e pela classe patronal, buscando reimplantar a agenda liberal, de retirada de direitos dos trabalhadores e dos pobres, sucateamento dos programas sociais e defesa dos interesses do capital financeiro e especulativo.

A trama Temer-Cunha-Aécio-Serra-FHC quer a repressão e criminalização dos movimentos populares e o cerceamento de direitos das mulheres, dos jovens, dos negros, da população LGBT, dos povos tradicionais e dos camponeses. Isso ficou claro aos vermos o teor de ódio nos votos em favor do impeachment.

Portanto, agora é a vez de pressionarmos o Senado Federal, que irá julgar o processo e decidir pela permanência ou não de Dilma e do projeto de país que viemos construindo ao longo de mais de uma década.

Todos os brasileiros contrários ao golpe, sejam apoiadores ou críticos do governo, precisam se unir. Nossa militância, do campo e da cidade, sempre aguerrida, deve mostrar novamente sua capacidade de mobilização e protagonizar o verdadeiro debate com a sociedade, explicando ao povo o jogo de interesses por trás desse processo falso e repleto de mentiras.

Precisamos deixar claro ao povo: Não há crime contra Dilma.

O julgamento é político e visa condenar o PT e os trabalhadores e tentar barrar as investigações que aterrorizam os verdadeiros criminosos, em especial o próprio Eduardo Cunha, que afronta a Constituição para tentar escapar da cadeia.

Muitos dos deputados que votaram “sim” são também réus em processos no STF e investigados por corrupção e lavagem de dinheiro, dentre outros crimes, e enxergam no golpe uma esperança em barrar as operações da Polícia Federal, que responde diretamente à Presidência e nunca sofreu ingerência de Dilma e Lula.

Nesse momento crucial da nossa história, temos que nos manter unidos cada vez mais, pois nossa luta e compromisso políticos são com uma sociedade justa e fraterna, com direitos e igualitária.

Não devemos, nem por um minuto, baixar a cabeça.

Retomar o fôlego e organizar novamente nosso povo para as batalhas vindouras são desafios que temos para garantir o respeito à vontade popular que elegeu o governo democraticamente e que agora também não quer o golpe.

* Alencar Santana Braga é Deputado Estadual (PT-SP) e Presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. 

 

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