Presidente da CPI da Merenda sugere reunião secreta

23 de junho de 2016
22/6/2016

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A blindagem ao governador Geraldo Alckmin ficou evidente logo na primeira reunião da CPI da Merenda. Nesta quarta-feira (22/6), Marcos Zerbini (PSDB) foi eleito presidente da Comissão e Adilson Rossi (PSB), vice.

O deputado Alencar Santana Braga (PT), único parlamentar da oposição, colocou seu nome, mas não obteve votos. Ele questionou a indicação dos partidos para ocuparem as nove vagas da CPI. Afirmou que, de acordo com o Regimento Interno, apenas PT e PSDB têm direito a vagas “cheias” e que o presidente da Casa, conforme a proporcionalidade dos partidos, faz a indicação para as demais. “A CPI é um instrumento da minoria, mas o presidente da Casa preferiu indicar deputados da base”.

O líder da Bancada do PT, deputado José Zico Prado, garantiu que entrará na Justiça por essa vaga da oposição. “E independentemente de vagas, todos os 14 deputados do PT participarão das reuniões”, garantiu Zico.

O deputado João Paulo Rillo apresentou levantamento que mostra que, sistematicamente, a oposição tem ficado de fora nas investigações que acontecem na Casa. Segundo ele, o PR, que tem dois deputados e é da base, teve assento em cinco CPIs nessa legislatura. Já o PSOL, que também conta com dois parlamentares, mas é da oposição, não participou até o momento de nenhuma CPI.

Reunião secreta

Ao tomar posse como presidente da CPI, Zerbini logo sugeriu que a Comissão realizasse uma reunião secreta para organizar um plano de trabalho e indicar relator.

Os estudantes e movimentos sociais que ocupavam o plenário não pouparam vaias ao deputado: “Está tudo comprado. Não me representa”, gritavam.

Zerbini ameaçou retirar as pessoas que acompanhavam a reunião e Alencar lembrou o deputado que essa manifestação faz parte da democracia e parabenizou os movimentos sociais. “Se a CPI da Merenda hoje está sendo instalada é porque vocês pressionaram essa Casa”, disse Alencar, referindo-se à ocupação da Assembleia realizada pelos estudantes.

O deputado Alencar leu o Regimento, que garante que as reuniões devem ser públicas. “A primeira reunião ser secreta já é demais. A transparência nessa investigação é fundamental”, disse Alencar.

O deputado Rillo apresentou requerimento solicitando que, ao final dessa reunião, o presidente convocasse uma extraordinária logo em seguida para que fossem apreciados os 30 requerimentos que já foram protocolados, inclusive de convocação do presidente da Assembleia, Fernando Capez.

Zerbini não quis colocar o requerimento a voto e encerrou a reunião, convocando a próxima para terça-feira (28/6), às 10h, e saiu sob protestos dos que assistiam: “Golpista, golpista”, denunciaram os estudantes, que ainda afirmaram que ocuparão a Assembleia caso ocorram reuniões fechadas.

Também participaram dessa reunião os deputados Ana do Carmo, Barba, Beth Sahão, Enio Tatto, Geraldo Cruz, Luiz Fernando, Luiz Turco e Marcos Martins.

Fernanda Fiot

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