NotíciasSugestõesO depoimento emblemático de um dos colaboradores de Zé Dirceu

Muitos dos milhares de colaboradores da campanha Eu Apoio Zé Dirceu nos mandaram mensagens contando por que decidiram contribuir. Boa parte nunca conheceu Dirceu pessoalmente – o que só reforça o sentimento de indignação crescente frente ao julgamento político ao qual ele foi submetido.
8 anos ago388

Muitos dos milhares de colaboradores da campanha Eu Apoio Zé Dirceu nos mandaram mensagens contando por que decidiram contribuir. Boa parte nunca conheceu Dirceu pessoalmente – o que só reforça o sentimento de indignação crescente frente ao julgamento político ao qual ele foi submetido.

Decidimos compartilhar uma dessas mensagens aqui com você. É de Irani Lima, de Taubaté. Ele postou o texto em seu blog e enviou o link para a campanha, por isso nos sentimos totalmente à vontade de reproduzi-lo.

Ele começa o texto dizendo que nunca votou em Dirceu e só o viu pela TV. E por que ele decidiu contribuir com o ex-ministro? A reposta é emblemática. Leia abaixo:

Por que colaborei com a vaquinha do Zé Dirceu

Por Irani Lima

Nunca votei em Zé Dirceu, sequer o conheço pessoalmente, pois só o vi pela televisão e por fotografias, antes de ser, injustamente, preso por ordem do presidente do STF, Joaquim Barbosa, após um processo kafkiano, com viés político, que se comprova a cada dia que passa.

Dirceu está atrás das grades, na Papuda, em Brasília, desde 15 de novembro do ano passado, quando sua condenação, injusta, repito, deveria ser cumprida em regime semiaberto, em São Paulo, onde fica seu domicílio.

Quando o ministro Gilmar (Dantas) Mendes, do STF, afirmou que as doações a Zé Genoino e a Delúbio Soares poderiam ser “lavagem de dinheiro”, ou seja, o dinheiro supostamente desviado pelos petistas estava retornando aos cofres públicos por meio de doações, ofendi-me com tamanha arrogância.

A truculência do presidente da mais alta Corte de Justiça brasileira me incomoda sobremaneira, como incomodou o jurista Celso Bandeira de Mello, seguramente um dos mais importantes deste país, que criticou a forma açodada do julgamento da AP 470, o mensalão petista.

Não se provou, de fato, que houve desvio de recursos públicos. Provas de outros inquéritos, aos quais os réus não tiveram acesso, foram escondidas até recentemente, quando o ministro Ricardo Lewandowski, após sete longos anos, abriu o inquérito 2474 para a defesa de um dos réus do “mensalão”, que agora terão como provar que existiu, sim, caixa dois, mas não desvio de dinheiro público.

A campanha para arrecadar os R$ 971.128,92 da multa, injusta, volto a repetir, imposta a Zé Dirceu, foi lançada dia 12 de fevereiro. Nove dias depois (20/02/14), os 2.783 “lavadores” de dinheiro, entre os quais me incluo, doaram exatos R$ 826.529,40 para a “vaquinha”, ou seja, 85,1% da multa.

Minha modesta contribuição (R$ 100,00) equivale a apenas 0,01% do montante. Até o final da tarde desta sexta-feira (21/02/14), e bem provável que as doações ultrapassem a casa do R$ 1 milhão.

É a resposta de petistas e não petistas, como eu, a um julgamento surreal, que já rendeu um livro (A Outra História do Mensalão, de Paulo \Moreira Leite) e foi fulminado por juristas do porte de Celso Bandeira de Mello e do insuspeito Yves Gandra Martins, numerário da Opus Dei no Brasil.

Estou cada dia mais convencido que acertei ao contribuir com a “vaquinha” do Zé Dirceu. Foi a maneira que encontrei de “gritar” contra a injustiça perpetrada pela Suprema Corte Brasileira, que julgou sem dar chance aos réus de se defenderem adequadamente, como é de direito.

As ações de Roberto Freire, presidente nacional do PPS, de criar um factoide para sequestrar o dinheiro arrecadado pela “vaquinha” do Zé Dirceu só demonstram a capacidade que tem o ser humano de se agachar na frente dos poderosos para garantir suas benesses. Ex-comunista é pior que direitista.

O trânsfuga mineiro, deputado Eduardo Azeredo (PSDB), tratou de abandonar sua trincheira na Câmara dos Deputados, renunciando ao cargo, para escapar do julgamento do mensalão tucano pelo STF. A fuga de Azeredo desmoraliza de vez o julgamento kafkiano da ação penal 470, que condenou Zé Dirceu e demais petistas.

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